27/11/2009

Dossier PREC 1975 (Maio 3 de 9)

MAIO

Dia 1
– No Estádio 1.º de Maio registam-se incidentes entre manifestantes do PS e do PCP, visto não ter havido acordo entre os promotores da convocatória e os socialistas. Os socialistas foram acusados de assobios e apupos ouvidos durante os discursos do primeiro-ministro Vasco Gonçalves e do presidente Costa Gomes. Mário Soares, Salgado Zenha e Marcelo Curto, que tinham feito um desfile autónomo, foram impedidos de chegar à tribuna de honra, por «não haver lugar nos camarotes para os partidos divisionistas». Marca o início da ruptura do PS com o resto da esquerda. A manifestação fora convocada pela Intersindical Nacional, à qual se associaram o PS, PCP, MDP/CDE, FSP e MES.

– A Intersindical Nacional acusa «individualidades proeminentes» do PS de terem causado incidentes a propósito das comemorações do Dia do Trabalhador, e de terem «incentivado alguns militantes do seu partido a assobiarem e achincalharem constantemente» as diversas intervenções feitas por sindicalistas e autoridades, em especial, no momento em que falavam o Presidente da República e o primeiro-ministro.

– O PS acusa a Intersindical de «sectarismo» e de ter ignorado a presença na manifestação dos «representantes do maior partido dos trabalhadores portugueses».

– A UDP e diversos grupos marxistas-leninistas realizam uma manifestação independente comemorativa do Dia do Trabalhador do Terreiro do Paço à Alameda.

– Manifestação comemorativa do Dia do Trabalhador, organizada pelos CRTSM, PRP-BR, LCRP (IV Internacional), Junta de Coordenação Revolucionária da América Latina e Lotta Continua (Itália), com concentração no Parque Eduardo VII.

– Confraternização popular “o 1.º de Maio é vermelho”, organizada pelo MRPP no Rossio, Lisboa.

– Surge o primeiro número da 2.ª série do quinzenário A VERDADE, como órgão central do Comité Marxista-Leninista Português.

– Apresentação e sessão de lançamento de O JORNAL, na Casa da Imprensa, semanário dirigido por Joaquim Letria, propriedade dum grupo de 15 jornalistas, entre os quais Afonso Praça, Carlos Cáceres Monteiro, Joaquim Lobo, José Carlos Vasconcelos, José Silva Pinto e Manuel Beça Múrias.

Dia 2 – Iniciam-se as hostilidades e o conflito laboral entre os trabalhadores gráficos e dos serviços administrativos em oposição à redacção, direcção e administração do REPÚBLICA. Na sequência de uma tentativa de admissão «inoportuna» de mais redactores conotados com o PS, realiza-se uma Reunião Geral de Trabalhadores que se prolonga até às 21 horas, sendo denunciada a «hegemonia socialista no jornal». Foi eleita a Comissão Coordenadora dos Trabalhadores e o jornal não se publicou nesse dia.

– O Secretariado da Comissão Política Nacional do MES apresenta o manifesto “Derrotando a reacção e a social-democracia, avançaremos para o poder popular no caminho da revolução socialista!”, onde analisa o resultado das eleições para a Constituinte e o 1.º de Maio.

Mário Soares e Salgado Zenha são recebidos pelo presidente Costa Gomes e pelo primeiro-ministro Vasco Gonçalves, a propósito dos incidentes da véspera.

– Comunicado do PS sobre “Os incidentes do 1.º de Maio de 1975 e os perigos de instauração de uma nova ditadura”.

– Manifestação do PS em Lisboa, com apoio do PPD e da AOC, como protesto contra os incidentes no Estádio 1.º de Maio e contra as «arbitrárias decisões anti-socialistas» da Intersindical, sob a palavra de ordem “é preciso respeitar a vontade popular”.

– Manifestação do PS no Porto, de protesto contra o comportamento da Intersindical no Estádio 1.º de Maio, e que causaram, por sua vez, graves tumultos em frente do Quartel-General da Região Militar do Norte, sedes de partidos e do JORNAL DE NOTÍCIAS.

– O PCP denuncia as manobras para «perturbar o carácter unitário das comemorações» do 1.º de Maio, que visam «por em causa a Intersindical».

– A FSP denuncia o PS que se arvorar «em vítima dos acontecimentos que provocou» durante o 1.º de Maio, e garante que o PS dissera não aceitar participar no comício comemorativo do Dia do Trabalhador se o MES e a FSP fossem convidados para a tribuna e que recusara participar no cortejo.

– Para o MES, embora o PS tenha «tido muitos votos nas urnas burguesas», nada «tem a ver com a luta sindical», tanto «antes e depois do 25 de Abril». O MES acusa também o PS de ter tentado impedir que A FSP e o MES usassem a palavra no decorrer do comício ou fossem para a tribuna.

Dia 3 – Conferência de imprensa conjunta da ORPC (m-l), OCMLP e do CMLP, e das frentes eleitorais UDP, FEC (m-l) e PUP, onde se afirma que «muito tempo se perdeu no trabalho de unificação dos comunistas, hoje dispersos por várias organizações, algumas das quais empenhadas na reconstrução do verdadeiro Partido Comunista Marxista-Leninista».

– Comunicado da Comissão Política do Comité Central do PCP “sobre os incidentes no Estádio 1.º de Maio”, onde acusa a direcção do PS tentar impor a participação do PPD e de exigir que o MES e a FSP fossem afastados «da cabeça da manifestação, da tribuna e do uso da palavra», e que o PS «insistiu sempre em fazer um desfile diferenciado», numa atitude «surda» e «intransigente», tudo fazendo «para perturbar a audição dos discursos, não só o da Intersindical, mas também os do Primeiro-Ministro e do Presidente da República», usando uma instalação sonora, larga «profusão de megafones, apitos e outros instrumentos».

– O Conselho de Ministros decidiu construir 100.000 fogos até ao fim de 1976, devido a carências habitacionais «de toda a ordem».

Dia 4 – Os trabalhadores da Câmara Municipal do Porto decidem entrar em greve para satisfação das suas reivindicações.

– Comício do PS em Portalegre em protesto contra a Intersindical.
Dia 5 – Os trabalhadores dos “cacilheiros” da Sociedade Marítima de Transportes procedem ao saneamento dos directores da empresa.

– Inicia-se a greve dos trabalhadores da Câmara Municipal do Porto para lutar contra o congelamento de salários e denunciar as disparidades salariais.

– Em plenário, com a presença de delegados de 110 empresas, foi decidido marcar uma greve do sector das indústrias químicas do Norte, para defesa do caderno reivindicativo.

– Reunião entre delegações do PS e PCP, a pedido deste, por causa dos incidentes do Estádio 1.º de Maio, que durou mais de três horas, na «procura de formas de cooperação». Estiveram presentes Mário Soares, Salgado Zenha, Manuel Alegre e Alberto Antunes, pelos socialistas, e Álvaro Cunhal, Octávio Pato, Carlos Brito e Carlos Costa pelos anfitriões.

Fernando Ribeiro Mendes e Augusto Mateus, em nome do MES, acusam o PS de procurar «converter a vitória eleitoral numa escalada de assalto às organizações dos trabalhadores».

– Nasce oficialmente o MDLP, movimento ligado ao general António de Spínola que conspira em Espanha, e a cujo directório pertencem Dias Lima, coronel Gilberto Santos e Castro, comandante Alpoim Calvão, Fernando Pacheco de Amorim e José Valle de Figueiredo.

– Foi anunciado que o Serviço Cívico Estudantil «deverá funcionar em pleno ainda no mês corrente» e que conta já com a adesão de 15.000 alunos.

– A Comissão Executiva da Comunidade Económica Europeia reúne em Lisboa para discutir e aprovar «o mais rapidamente possível» um plano de ajuda económica a Portugal.

Henry Kissinger, secretário de Estado americano, nota que as eleições para a Constituinte «indicaram que uma maioria do povo português é favorável aos partidos democráticos».

Dia 6 – Inicia-se a greve do sector das indústrias químicas do Norte, para defesa do caderno reivindicativo.

– Comício do PPD no estádio 1.º de Maio, em Lisboa.

– O Ministério da Educação exige, «em nome dos interesses dos trabalhadores», a «imediata normalização» das aulas e o respeito pela legalidade no Liceu Pedro Nunes, em Lisboa, sob pena de encerramento definitivo, considerado no comunicado como um «liceu elitista, com acesso seleccionado», onde estudam os «filhos da alta e média burguesia».

Jaime Neves foi graduado em coronel por o Batalhão de Comandos ter passado a Regimento.

Nito Alves, comandante da 1.ª Região Político-Militar do MPLA, aproveitando uma curta estadia em Lisboa, estabeleceu diversos contactos com diversas organizações políticas de extrema-esquerda e de esquerda.

Dia 7 – Mantêm-se os piquetes de vigilância dos gráficos junto do Ministério do Trabalho em apoio à aplicação do caderno reivindicativo da classe.

– O Plenário Geral de Trabalhadores da TAP rejeita uma proposta de greve.

– Em Viana do Castelo foi eleita uma Comissão Representativa dos Desempregados, para apresentar e divulgar as medidas julgadas necessárias para reduzir o número de desempregados e melhorar a sua situação, propondo algumas medidas de criação de emprego e sociais.

– O Sindicato dos Bancários do Norte decide suspender a sua participação na Intersindical.

– Fernando Oliveira Baptista, ministro da Agricultura, anuncia para breve a institucionalização dos Conselhos Regionais de Reforma Agrária «onde teriam representação as ligas e os sindicatos de trabalhadores agrícolas».

– Nota da Comissão Política do Comité Central do PCP “sobre a situação política e social”, indicadora «duma intensiva actividade da reacção e de outras forças empenhadas em paralisar o processo revolucionário».

Mário Soares, em conferência de imprensa, põe 3 condições para um entendimento com o PCP: fim da manipulação dos órgãos de informação; eleições livres nos sindicatos; revisão da hegemonia do MDP/CDE nas comissões administrativas das autarquias. Acusa o PCP de estar a manipular os órgãos de informação, atacou com «particular violência» o MES e FSP, e considerou que «o seu partido não é social-democrata, mas um grande partido revolucionário de massas».

– A AOC formaliza junto do Conselho da Revolução o pedido de adesão e assinatura do Pacto MFA/Partidos.

– O Conselho da Revolução aprova a lei que torna obrigatória as eleições nos sindicatos cujas direcções foram eleitas antes de 25 de Abril.

Dia 8 – Convocada uma greve dos trabalhadores das Câmaras de Gondomar, Lousada, Marco de Canaveses, Matosinhos, Penafiel, Póvoa de Varzim, Valongo, Vila do Conde, Vila Nova de Gaia, e da Junta Distrital do Porto, marcada para dia 12 de Maio, por iniciativa da Comissão Organizadora Provisória Sindical dos Trabalhadores da Administração Local.

– Foi suspensa a greve do sector das indústrias químicas do Norte, que fora convocada para defesa do caderno reivindicativo.

– Durante a madrugada a sede do MES em Sintra foi assaltada e pintadas nas paredes slogans do PPD, acto identificado como «uma avançada da burguesia» e «dos Partidos dos Patrões Desesperados» contra o «actual processo revolucionário».

– O Conselho da Revolução convocou os partidos da coligação governamental, PDP, PS, MDP/CDE e PCP, devido ao clima de divergências interpartidárias.

– Nota de imprensa do Comité Central do PCP manifesta a «sua profunda preocupação com a evolução […] da situação política e social», pois alguns «sectores querem servir-se do resultados das eleições» para «tentarem entravar e interromper o processo revolucionário».

Correia Jesuíno, ministro da Comunicação Social, durante a visita aos Estados Unidos, onde se encontra a convite do Departamento de Estado, salientou que a imprensa de Portugal em Portugal não é dominada pelos comunistas e que Portugal permanecerá na OTAN.

– No Teatro São Luís, em Lisboa, realiza-se uma cerimónia comemorativa do 30.º aniversário da derrota do nazismo, com a presença dos Conselheiros da Revolução e do primeiro-ministro Vasco Gonçalves, o qual afirma que o dilema é entre «revolução ou reacção» e «o problema é ainda socialismo ou capitalismo».

Coronel Varela Gomes chega a Lisboa depois de uma visita a Cuba à frente duma delegação do MFA.

– Conferência de imprensa de Nito Alves, do Comité Central do MPLA e comandante da 1.ª Zona Militar das FAPLA, na Casa de Angola, em Lisboa.

– General Silva Cardoso, Alto-Comissário em Angola, acusa os movimentos de libertação de violarem os acordos de Alvor.

Dia 9 – Continuam as greves dos pescadores de Olhão e de Peniche.

– Termina a greve dos trabalhadores da MABOR.

Plenário de Trabalhadores da SOCEL, recentemente nacionalizada, protesta contra a nomeação de três directores para a Comissão Administrativa «nas costas dos trabalhadores», discordando do processo que marginalizou os trabalhadores, exigindo o congelamento dos ordenados superiores e propondo outras medidas, como a formação do Conselho de Produção.

– A FSP esclarece que não estão «previstas fusões imaginária» com outros grupos políticos, em especial com o MES, LUAR ou MDP/CDE.

– Decreto-Lei n.º 221-A/75 aprova a nacionalização das empresas cimenteiras.
– Decreto-Lei n.º 221-B/75 aprova a nacionalização das empresas de celulose.
– Divulgado o relatório das relações da PIDE/DGS com as empresas e os patronato.

– Os administradores da Torralta são presos acusados de crimes contra a economia nacional.

Dia 10 – Os trabalhadores da TRANSUL ocupam a empresa e procedem ao saneamento da administração.

– Os trabalhadores da FIL decidem ocupar as instalações e assumir a gestão.

Operários da Fábrica de Lanifícios Barros ocupam as instalações e sequestram o patronato por causa das negociações com a Associação Nacional de Industriais de Lanifícios.
– Os trabalhadores do Teatro Laura Alves, em Lisboa, entram em autogestão.

– Termina a paralisação por tempo indeterminado dos trabalhadores da Papelaria Fernandes, Lisboa, por ter sido aceite o caderno reivindicativo.

– Termina a greve dos trabalhadores da indústria hoteleira.

– O Ministério do Trabalho declara que a greve dos químicos é ilegal.

– Realiza-se no Porto a 2.ª reunião alargada dos Conselhos Revolucionários de Trabalhadores, Soldados e Marinheiros, onde se conclui que a «batalha da produção […] está condenada ao fracasso» por não estar «ligada ao problema da conquista do poder pelo proletariado», e que as eleições são uma «inequívoca vitória para as forças contra-revolucionárias», pois o PS «é força política utilizada pelo imperialismo» para fazer a contra-revolução. Foi também eleito o Secretariado Nacional Provisório do CRTSM.

Pedro dos Santos Soares, membro do Comité Central do PCP e antigo preso do Campo de Concentração do Tarrafal, e Maria Luísa da Costa Dias, destacada militante do PCP, morrem vítimas de um acidente de viação.

– No decorrer das investigações sobre as actividades terroristas da ELP são descobertas ligações à Juventude Centrista, onde havia armas e propaganda contra a FEC (m-l), LUAR, PCP, PRP-BR e UDP.

– Em Esposende ocorrem confrontos entre militantes do CDS e manifestantes duma manifestação apoiada pela FEC (m-l), LUAR, PCP e UDP.

– O Comité de Zona de Viana do Castelo do MES protesta contra a intenção de realizar um “festival sexy”, já que «tais espectáculos nada têm de libertador», sendo «um exemplo flagrante da exploração da mulher como objecto de cobiça sexual».

– Principia o I Congresso Nacional dos Escritores Portugueses, na Biblioteca Nacional de Lisboa, sob presidência do poeta José Gomes Ferreira, e participação, entre outros, de Agustina Bessa Luís, Eduardo Lourenço, Jacinto Prado Coelho, Mário Cesariny de Vasconcelos, Óscar Lopes e Sophia de Mello Breyner Andresen, uma organização da Associação Portuguesa de Escritores.

– Decreto-Lei n.º 222-A/75 que convoca a Assembleia da Constituinte para se reunir a 2 de Junho.

Dia 11 – Segundo dia da 2.ª reunião alargada dos Conselhos Revolucionários de Trabalhadores, Soldados e Marinheiros (CRTSM), que se realiza no Porto.

Álvaro Cunhal renuncia ao mandato de deputado à Assembleia Constituinte.

Mário Soares e Salgado Zenha renunciam ao mandato de deputados à Assembleia Constituinte.

– Debate na TV entre o primeiro-tenente Ramiro Correia, da 5.ª Divisão, e os representantes dos partidos no Governo Provisório, com a presença de Magalhães Mota (PPD), Mário Soares (PS), Pereira de Moura (MDP/CDE) e Álvaro Cunhal (PCP). Mário Soares diz que a revolução deveria seguir pela via «que seja o socialismo do possível».

– Comício do PPD em Lisboa, comemorativo do 1.º aniversário do partido, reafirma a «confiança na via social-democrata para a construção da sociedade socialista».

Vasco Gonçalves faz a comunicação de encerramento do I Congresso Nacional dos Escritores Portugueses, pedindo que os escritores «venham para o pé de nós contribuir para a Revolução do Povo Português».

Major Vítor Alves declara ao jornal ESTADO DE SÃO PAULO que o «MFA não pretende implantar o socialismo de caserna».

Jacinto Baptista foi eleito em plenário de trabalhadores director do jornal DIÁRIO POPULAR, em eleições disputadas com Acácio Barradas.

Dia 12 – Manifestação dos trabalhadores da firma António Xavier de Lima exigindo a intervenção estatal na empresa, que se encontrava em graves dificuldades financeiras desde que a administração abandonara a empresa em Dezembro de 1974.
– O PS diz-se vitima duma campanha dos órgão de informação que pretende separar as bases das cúpulas do partido.

– A delegação do PCP (m-l), que se encontra de visita à China Popular, foi recebida pelo vice-primeiro-ministro Chi Teng-Kuei.

– Decreto-Lei n.º 222-B/75 que determina a intervenção do Estado e as providências cautelares administrativas em «empresas privadas que não funcionem em termos de contribuir normalmente para o desenvolvimento económico do País».

Carlos Carvalhas, secretario de Estado do Trabalho, aponta a “batalha da produção” como metas para «ajustamento às necessidades da população».

Jacinto Baptista toma posse como director do jornal DIÁRIO POPULAR, como resultado da «vontade expressa dos trabalhadores».

– Foi eleito o Conselho de Redacção do DIÁRIO POPULAR, composto por Ângelo Granja, António Colaço, Botelho da Silva, José Eduardo Moniz, Mário Rocha, Rodrigues da Silva e Viriato Mourão.

Dia 13 – Conferência de imprensa e comunicado conjunto da FSP, LCI, LUAR e MES, em «unidade revolucionária contra o neocolonialismo», denunciando a «criminosa estratégia do imperialismo» em Angola, assinalando as derrotas do imperialismo na Indochina, Moçambique e Cabo Verde e de solidariedade com o MPLA.

– Reunião do Grupo de Intervenção Sindical do Núcleo de Professores do MES, no anfiteatro do Instituto Superior Técnico, para debater o anteprojecto do Estatuto da Organização Sindical dos Professores, a fim de «garantir a unidade, democraticidade interna e independência» do sindicato.

– Publicação de 4 despachos da Secretaria de Estado da Estruturação Agrária exonerando as direcções e nomeando comissões administrativas para a Cooperativa de Fruto-Horticultores da Vidigueira, para a Cooperativa dos Olivicultores da Vidigueira, para a Adega Cooperativa da Vidigueira e para a Cooperativa Agrícola de Beringel.

– Despacho normativo que desanexa das federações dos grémios da lavoura do Alentejo as fábricas, os silos e as refinarias de óleos vegetais para serem integrados no IRA – Instituto de Reorganização Agrária.

– Decreto-Lei n.º 227-A/75 aprova a nacionalização das empresas tabaqueiras do Continente e uma dos Açores: A Tabaqueira, INTAR e Fábrica de Tabacos Micaelense.

Melo Antunes chega a Luanda para retomar os contactos com os movimentos de libertação, num esforço de salvar o acordo de paz.

Vítor Alves chega a Díli com a missão de preparar um cimeira dos partidos timorense.

Dia 14 – Os trabalhadores da Câmara Municipal do Porto decidem suspender a greve e dar o prazo de um mês para satisfação das suas reivindicações.

– Nota da Comissão Política do Comité Central do PCP “sobre a situação em Angola”, cujo agravamento «ensombra a perspectiva da via pacífica para a libertação e independência do povo angolano», sendo motivo de «grande preocupação» e manifesta «a sua solidariedade e apoio à justa luta do povo de Angola».

– Publicação do despacho do Ministério da Agricultura que autoriza o Estado a intervir na Herdade Corte Condeça, freguesia de Quintos, Beja, de Nuno Sttau Monteiro da Silva, com o objectivo de garantir a colheita.

– Publicação do despacho do Ministério da Agricultura que traça os objectivos e as competências do INIA – Instituto Nacional de Investigação Agrária e Pescas.

– Realiza-se a Assembleia Extraordinária de Delegados da Força Aérea, para analisar a substituição do general Mendes Dias nas funções de CEMFA, por estar incluído na lista dos suspeitos implicados no 11 de Março e devido a «falhas de actuação de comando».

– O Conselho da Revolução exonera o general Mendes Dias das funções de Chefe de Estado Maior da Força Aérea, e o general Pinho Freire do comando da 1.ª Região Aérea.

– Coronel José Morais e Silva, graduado em general de quatro estrelas, é nomeado Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, em substituição de Mendes Dias.

– Foram libertados o tenente-coronel João de Almeida Bruno e o major Luís Casanova Ferreira, implicados no golpe de 11 de Março.

Franco Nogueira, ex-ministro de Salazar, foi colocado em liberdade em regime de residência fixa.

– Chega a Lisboa uma vaga de refugiados vindos em ponte aérea desde Angola por causa da agudização dos conflitos armados.

Dia 15 – Nota da Comissão Política do Comité Central do PCP sobre «as disposições aprovadas pelo Conselho de Ministros restrito» de 13 de Maio, saudando «novas nacionalizações que abarcam três importantes ramos da economia nacional, sobre a elevação do salário mínimo e as outras actualizações salariais» e algumas «medidas de austeridade», enquanto «exorta a classe operária, os trabalhadores, as massas populares, a manterem activa vigilância sobre todas as manobras contra-revolucionárias».

– A Comissão Coordenadora dos Trabalhadores do jornal REPÚBLICA protesta contra a cobertura da visita à China Popular duma delegação do PCP (m-l) (facção Vilar), importância dada pela redacção do jornal e que foi considerada como «excessiva» pelos gráficos e demais trabalhadores, que consideram como um gesto «político-partidário provocatório».

– A imprensa transcreve as declarações de Álvaro Cunhal ao jornal soviético PRAVDA, que afirma que «a revolução é invencível».

José Manuel Tengarrinha declara numa conferência de imprensa do MDP/CDE que «as reivindicações irrealistas» dividem os trabalhadores e servem a reacção.

Fernando dos Santos Gonçalves, antigo operacional da Acção Revolucionária Armada (ARA), que se encontrava detido há um mês, foi libertado pelo tribunal do Barreiro. Era acusado de ter sido condenado à revelia a 15 anos de prisão por acto contra a ditadura, por participação no assalto a uma agência local do Banco Totta Aliança. Foi considerado amnistiado por força do Decreto-Lei n.º 173/74.

– Militantes do MRPP, entre os quais 4 furriéis milicianos do RALIS, sequestram numa casa no Restelo, Lisboa, e espancam o ex-sargento fuzileiro José Coelho da Silva durante um «interrogatório irregular», acusado de conspiração e de pertencer ao ELP.

General Morais e Silva tomou posse como Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, perante o presidente Costa Gomes, dizendo que a Força Aérea está «identificada com o processo revolucionário em curso». Assumiu também, por inerência, as funções de conselheiro do Conselho da Revolução.

– Comunicado da 5.ª Divisão definindo que o «projecto de Aliança Povo-MFA não visa a subalternização dos partidos políticos».

– Decreto n.º 231/75 que nomeia os subsecretários de Estado: do Orçamento, Alberto dos Santos Ramalheira; do Tesouro, Amândio Dias Camelo.

Major Ernesto Melo Antunes chegou a Lisboa depois duma visita de urgência a Angola.
Andrei Andreyevich Gromyko, ministro dos Negócios Estrangeiros soviético, afirma que «só o povo de Portugal tem o direito de decidir o seu futuro».

Dia 16 – Os pescadores de Peniche terminam a sua em greve, depois de dois meses de luta.

Trabalhadores rurais desempregados ocupam terras em Montargil, Alentejo.

Reunião do Sindicato dos Trabalhadores Agrícolas do Distrito de Beja onde se faz o balanço da luta contra o desemprego, e os delegados dão conta da insatisfação dos trabalhadores que desejam avançar para a ocupação de terras.

– Nas colunas do jornal O SÉCULO aparece pela primeira vez a referência aos recém-criados CDR – Comités de Defesa da Revolução, afectos ao PCP e MDP.

– Decreto-Lei n.º 232/75 sobre a ocupação de casas.

– Surge o primeiro número de CASAVAGA: Jornal de Combate ao Problema da Habitação, dirigido por A. M. Mathiotte.

– Sai o primeiro número do jornal católico NOVA TERRA – Semanário de Opinião e Informação, sob direcção de Maria de Lurdes Belchior e propriedade do Patriarcado de Lisboa.

– O jornal REPÚBLICA publica o chamado “documento Veloso”, uma lista provisória de eventuais saneamentos a realizar na RTP, cuja autoria é atribuída à célula do PCP e a Manuel Jorge Veloso, crítico de jazz.

– A Comissão Coordenadora dos Trabalhadores do REPÚBLICA, representando os gráficos e trabalhadores dos serviços administrativos e comerciais, protesta em comunicado contra a posição da redacção do jornal acerca dos trabalhadores da RTP e do chamado “documento Veloso”.

– Manifestação de solidariedade ao povo angolano, entre o Rossio e a Fonte Luminosa, Lisboa, convocada pelo CIDAC, Casa dos Estudantes das Colónias e Associação dos Deficientes das Forças Armadas, com o apoio da FRETILIN, MPLA, PAIGG, CRTSM, FSP, LCI, LUAR, PRP-BR, Pró-UNEP e Junta de Coordenação Revolucionária da América Latina.

Dia 17 – Manifestação dos moradores convocada pela Inter-Comissões de Bairros de Lata, Bairros Pobres e Comissões de Moradores de Lisboa e Arredores, para exigir o direito à habitação e pela revogação do decreto anti-ocupação, sob o lema “casas sim, barracas não”, com concentração na Rotunda do Marquês de Pombal, seguido de desfile até à Câmara Municipal e ao Palácio de S. Bento. Contou com a presença de 10.000 moradores em representação de 50 bairros de barracas.

– Manifestação das comissões de moradores do Porto pela revogação imediata da “lei das ocupações”, exigindo a reorganização da gestão camarária, legalização das Associações de Moradores e a nacionalização dos solos urbanos. Foi apoiada pelo MES, OCMLP, UDP e Grupo 1.º de Maio.

– Festa de homenagem a Catarina Eufémia em Baleizão, com a presença do secretário-geral Álvaro Cunhal, de destacados dirigentes do PCP e representantes das Forças Armadas.

Heduíno Vilar, secretário-geral do PCP (m-l), em conferência de imprensa, reafirma o apoio «às liberdades democráticas».

Major José Costa Martins, ministro do Trabalho e conselheiro do Conselho da Revolução, garante «que Portugal cumprirá e respeitará todos os seus compromissos» na NATO, no rescaldo da sua visita aos Estados Unidos.

Major Aventino Teixeira, administrador de O SÉCULO, advoga que os grupos económicos «em fuga» devem «suportar os prejuízos acumulados» pela imprensa.

– Francisco Pinto Balsemão, director do EXPRESSO, critica os partidos da coligação governamental, na medida em que «ficámos sem saber que socialismo querem Mário Soares, Magalhães Mota ou Álvaro Cunhal, ou Pereira de Moura».

– Prof. Santos Oliveira, ex-secretário-geral adjunto do PPD, demitiu-se por divergências ideológicas de fundo.

Otelo Saraiva de Carvalho, brigadeiro graduado e governador militar de Lisboa, declara que «a dinâmica da revolução ultrapassará os partidos», pois as lutas partidárias «provocam um divisionismo entre as massas trabalhadoras».

– Brigadeiro Vasco Gonçalves visita a Sorefame, onde afirma que «só há duas posições, ou estamos na revolução ou estamos contra a revolução […] Não há meio caminho».

João Gomes Cravinho, ministro da Indústria e Tecnologia, saúda os trabalhadores da Sorefame, dizendo que eles «estão na vanguarda da batalha da produção».

– Conferência de imprensa do MRPP para denunciar que o comandante Alpoim Calvão prepara um exército em Espanha para destabilizar o regime, dados apurados depois do interrogatório dum antigo fuzileiro.

– Principia no distrito de Bragança a “Campanha Maio-Nordeste”, de dinamização cultural e acção cívica, empreendida pela 5.ª Divisão, a qual será suspensa em Outubro.

Vice-almirante Rosa Coutinho afirma que «as nacionalizações deviam ser feitas porque o poder económico deve ser controlado pelo poder político» e «a criação de comissões de trabalhadores deve ser apoiada».

General António Silva Cardoso, alto-comissário em Angola, aponta as razões para a situação que se vive naquele território, no facto dos movimentos sobreporem «os interesses partidários ao interesse maior de Angola», a «imaturidade de certos responsáveis políticos e militares», a «corrida às armas» e «a interferência de forças estranhas».

Dia 18 – Os trabalhadores da EFACEC/INEL mantêm a ocupação da empresa e o sequestro dum director comercial para garantir a reintegração duma servente de limpeza e a satisfação doutras reivindicações.

– O MRPP detém e espanca o alferes comando Marcelino da Mata, sob acusação de conspirar com o comandante Alpoim Calvão e de ligações ao ELP, sendo depois entregue ao RAL 1.

– O MRPP sequestra e espanca em Coimbra o primeiro-cabo reformado Maximino dos Santos, mutilado de guerra e antigo combatente em Moçambique.

– Durante agitações de rua em Lisboa, Amadora e Santarém, o MRPP acusa Jaime Neves e Salgueiro Maia de envolvimento no 11 de Março e de ligações ao ELP.

Capitão Carlos Matos Gomes, do Regimento de Comandos da Amadora, declara que não há «o menor indício de culpa do coronel Jaime Neves», rebatendo as acusações do MRPP.

– Incidentes entre elementos do MRPP e militares do RALIS, quando aqueles cercam o regimento para exigir um julgamento popular dos detidos que eles tinham entregue, havendo disparos e granadas de gás.

– Manifestação do MRPP junto da embaixada do Estados Unidos a fim de reclamar a expulsão do embaixador Franck Carlucci.

– O PS reelegeu o seu Secretariado, cooptando Alberto Arons de Carvalho e António Aires Rodrigues para as vagas existentes e indigitando Henrique de Barros como candidato do partido à presidência da Assembleia Constituinte e José Magalhães Godinho como líder parlamentar.

– Comunicado do PS sobre “O financiamento pelo Estado de órgãos de informação e a respectiva linha editorial”.

D. António Ferreira Gomes, bispo do Porto, no fim da assembleia geral do Conselho de Leigos, afirma que «o povo português não é cegamente comunista nem anticomunista».

Dia 19 – A Comissão Coordenadora dos Trabalhadores e os tipógrafos do REPÚBLICA, afectos a grupos de extrema-esquerda revolucionária, decidem (11h40) «suspender do exercício das suas funções» o director Raul Rego, o director-adjunto Vítor Direito e o chefe de redacção João Gomes, que acusam de ter transformado o jornal num órgão oficial do PS e de dizer «meias verdades», ocupam as instalações, promovem a edição do jornal à revelia da redacção, elegem como director interino o «camarada Álvaro Belo Marques» e assinam o editorial “Estimado Leitor”.

– A Comissão Coordenadora dos Trabalhadores do REPÚBLICA, em nota, refere que nos últimos meses 14 jornalistas abandonaram o jornal «por se sentirem impotentes, limitados nos seus desejos profissionais» e que o vespertino estava «ao serviço dum partido».

– Os ministros do PS suspendem a participação no Governo Provisório, em protesto por causa do jornal REPÚBLICA.

– O PS, em nome duma “Comissão de Leitores da REPÚBLICA”, promove à tarde (18 horas), uma manifestação frente à sede do jornal. Palavras de ordem: “República é do Povo, não é de Moscovo”, “Rego amigo, o povo está contigo” e “este jornal não é de Cunhal”.

– Oficiais do COPCON e da Polícia Militar entram (19h30) nas instalações do REPÚBLICA, para manter a segurança interna e guardar o exterior.

João Gomes, chefe de redacção do REPÚBLICA, reúne-se (20h25) com oficiais do COPCON para apresentar a versão e acusar a Comissão Coordenadora dos Trabalhadores de haver posto a direcção do jornal perante uma situação de «facto político».

Mário Soares, Francisco Salgado Zenha, Mário Sottomayor Cardia e Manuel Alegre juntam-se (20h30) à manifestação socialista contra os trabalhadores do jornal REPÚBLICA.

– O edifício do jornal REPÚBLICA é apedrejado (20h45) pelos manifestantes, que gritam “morte à CIA e ao KGB”.

– Á noite (cerca das 22 horas), Mário Soares, acompanhado pelo major Fernando Lobato de Faria, tenta entrar nas dependências do jornal REPÚBLICA, no que é impedido pelos trabalhadores que lhe dizem: «Isto não é a sede do PS. Tu e o teu colega Cunhal devem pôr os olhos na força dos trabalhadores. Não hão-de continuar a brincar com o Povo». Outra frase dum tipógrafo: «Não me digam que lá fora está o povo. Quem ali está é o PS e os seus interesses neste jornal».

Raul Rego pede (23h35) ao major Lobato de Faria, do Regimento de Comandos, para selar as portas do edifício do jornal, se o litígio não se solucionar.

– O COPCON acusa o MRPP de tentar dividir o MFA, a propósito da prisão de um ex-militar que aquele movimento fez e da sua posterior entrega à guarda do RAL 1.

Assembleia do MFA no Alfeite para analisar os resultados eleitorais, a situação político-social e a situação política em Angola. Nessa assembleia, Mário da Silva Murteira, ministro do Planeamento e Coordenação Económica, faz uma comunicação sobre economia, defendendo a necessidade dum programa de emergência e de um Plano Económico de Transição.

– A Assembleia do MFA aprecia o relatório sobre os incidentes do 1.º de Maio. Esse relatório concluía que o PS tentara impedir a presença do MES e da FSP na tribuna, por os considerar partidos minoritários, e que o PS convocara uma concentração separada do local indicado pela Intersindical e que seguira trajecto diferente, ambas convergindo para o Estádio 1.º de Maio, onde a Intersindical chegara primeiro. A delegação do PS, com Mário Soares à cabeça, entrara no estádio na ocasião em que tomava a palavra o primeiro-ministro Vasco Gonçalves, tendo os manifestantes socialistas assobiado e vaiado, assim como durante o discurso de Costa Gomes. Quando o Presidente da República falava, Mário Soares foi impedido de entrar na tribuna por um dirigente da Intersindical, acusando-o de atitudes divisionistas.

– A Comissão Política do Conselho da Revolução apresenta na Assembleia do MFA uma exposição «extraindo das eleições as consequências que interessam» em relação ao «processo revolucionário em curso» e analisando o papel dos partidos, as suas estratégias, as pressões que exercem sobre o MFA e o «risco de divisão das massas populares» que alguns partidos causam «criando um clima pernicioso de disputa partidária, tipo Benfica-Sporting». Nessa exposição foram analisados e criticadas as tácticas dos partidos, em especial o PS, o PPD, o PCP e o MDP/CDE, não havendo qualquer referência ao CDS e à esquerda revolucionária.

Coronel João Varela Gomes, durante a Assembleia do MFA, propõe a ilegalização do MRPP.

– Por despacho do ministro da Agricultura é criado o Conselho Regional de Reforma Agrária de Beja, que engloba os diversos organismos do Ministério da Agricultura e Pescas que existiam no distrito, com a função de orientar e executar as determinações governamentais para a reforma agrária.

Dia 20 – Tentativa de conversação (entre a 1h e 1h30 da manhã) entre elementos da Comissão Coordenador dos Trabalhadores (Joaquim Dias, Júlio Moreira, Delmar, Serrano, Vladimiro) e da Administração e redacção (Gustavo Caratão Soromenho, Raul D’Assunção Rego, Vítor Direito e João Gomes), servindo de medianeiro o major Lobato de Faria.

Capitão-de-fragata Jorge Correia Jesuíno, ministro da Comunicação Social, e o director-geral da Informação, comandante Rui Freire Montez, chegam (2h10) ao jornal REPÚBLICA, depois de terminada a Assembleia do MFA.
– Às 2h20 da madrugada principia a reunião presidida pelo ministro Correia Jesuíno para encontrar uma solução de consenso entre os trabalhadores e a administração do REPÚBLICA, e resolver «da melhor maneira este grave problema». O ministro declara que ao «Governo Provisório não compete, em casos destes, tomar quaisquer medidas administrativas. Nem quer. Isso era no tempo da outra senhora». E de seguida defende que «A "República" é propriedade dos seus accionistas […] representados pela Administração. É esta quem detêm o suporte legal da empresa». Para além do ministro, intervieram Júlio Moreira, Delmar, Joaquim Dias (da CCT), João Gomes (chefe de redacção), Gustavo Soromenho (administrador delegado), Raul Rego (director), Jaime Matos da Gama (redacção) e comandante Rui Montez.

– Os elementos da Comissão Coordenadora dos Trabalhadores do REPÚBLICA, depois de considerarem que os «trabalhadores da produção deste jornal não colaboraram nessa luta que se travou entre PS e PC», a «luta que tem por objectivo transformar» o jornal num órgão «não partidário, objectivo, independente de partidos» e «ao serviço de todo o povo português antifascista e patriota», denunciando a instrumentalização do PS na redacção e visto que a «origem deste problema é a independência do jornal», decidem (4h40) «não ceder nem um palmo nas suas posições».

– Às 5 horas da manhã termina oficialmente a reunião, sendo definitivamente afastada qualquer hipótese de solução do conflito de maneira amigável. O edifício do vespertino REPÚBLICA é depois evacuado, encerrado e selado pelas forças militares.

– A UDP defende, em comunicado, a luta dos trabalhadores do jornal REPÚBLICA.

– Nota de imprensa do Ministério da Comunicação Social sobre o «conflito» no jornal REPÚBLICA, explicando que o «Governo não tem, de acordo com a lei vigente, competência para aplicar medidas administrativas a órgãos de informação», o qual devia «ser resolvido por via judicial», enquanto reprova «as manipulações partidárias de que este conflito foi pretexto e que se inscrevem em manobras divisionistas», cujo «único fim» parece «consistir em sabotar a própria marcha da revolução portuguesa», lamentando que «as palavras de ordem dos manifestantes, partidariamente controlados, fossem nitidamente ofensivas» para «as entidades oficiais que tentaram, por todos os meios, a mediação entre as partes em litígio».

Mário Soares e Salgado Zenha são recebidos pelo presidente Costa Gomes, a quem comunicam que o PS não comparecerá ao Conselho de Ministros «enquanto não estiver solucionado o caso» REPÚBLICA.

– Manifestação do MRPP contra o fascismo, a propósito das prisões que este movimento efectuou recentemente.

Capitão Vasco Correia Lourenço garante ao JORNAL DO COMÉRCIO que o MFA não quer acabar com os partidos.

– O Ministério da Educação e Cultura, através do ministro, major eng.º José Emílio da Silva, e dos secretários de Estado capitão Armando Fonseca de Almeida e Rui Grácio, manda encerrar o Liceu D. Amélia, em Lisboa.

– Manuel Saramago de Brito, engenheiro agrónomo, toma posse como director do Conselho Regional de Reforma Agrária de Beja, sendo subdirector Marcelino Sobral.

Reunião do Sindicato dos Trabalhadores Agrícolas do Distrito de Beja, onde se defende uma reforma agrária «feita com ordem e sob controle do Conselho Regional da Reforma Agrária».

Dia 21 – Os trabalhadores do jornal REPÚBLICA reúnem-se no Instituto Superior Técnico em plenário geral e mais tarde são recebidos no Ministério do Trabalho.

– O PRP-BR defende a luta dos trabalhadores do jornal REPÚBLICA, reafirmando que as «lutas de galo entre o PS e o PC que nada têm a ver com os interesses dos trabalhadores portugueses».

– O PCP afirma nada ter a ver com a ocupação do jornal REPÚBLICA, mas não condena de forma explicita a atitude dos trabalhadores. Álvaro Cunhal dirá que o PCP «não está com certeza do lado dos que gritam “Abaixo o MFA”».

– O MDP/CDE, em comunicado intitulado “UNIDADE – TRABALHO – SERENIDADE”, refere que «o PS está a desenvolver uma perigosa campanha procurando perturbar a opinião pública e agravar a clima político do País».

– Os redactores do jornal REPÚBLICA emitem um comunicado e protestam por telegrama junto do Ministério da Comunicação Social sobre a «manipulação dos acontecimentos» que alegam ter sido feita pelo DIÁRIO DE NOTÍCIAS e pelo O SÉCULO.

O POVO LIVRE reproduz o comunicado do PPD intitulado “Quem quer calar a Imprensa Livre?”, defendendo a Administração e redacção do jornal REPÚBLICA.

– Comunicado do PPM afirma que «o caso do REPÚBLICA é um atentado que visa suprimir uma das liberdades fundamentais conquistadas», defendendo que a «unidade necessária à construção do socialismo no nosso País terá de passar pela convergência de todos num projecto comum».

– O CDS manifesta a sua profunda preocupação sobre o Caso REPÚBLICA, afirmando que «o dilema agora é: socialismo sim, mas com ou sem liberdades democráticas».

Conselho da Revolução emite um comunicado especial acerca do Caso REPÚBLICA, em que afirma que «não pode deixar de estranhar a atitude assumida pelas forças partidárias, convocando inclusivamente manifestações de protesto e desagrado, quando o problema se acha em curso de solução legal, a única aliás, consentânea com a ordem democrática que se pretende ver consagrada no País».

– Sessão de esclarecimento na Lisnave para formação do Conselho Revolucionário de Trabalhadores na empresa.

– Durante um agitado plenário para impedir a suspensão e o despedimento de 9 trabalhadores da Plastiguel, freguesia de Colmeias (Leiria), que a entidade patronal saneara na véspera, o MFA foi chamado a intervir.

– O Comité Orientador da Comuna Che Guevara, instalada no antigo complexo turístico do Muxito, em Vale de Gatos, Amora, faz o balanço de dois meses de actividade da creche, parques infantis, centros de apoio à 3.ª idade, centro cultural e ocupação dos tempos livres. Abrange uma área de 35 hectares e ocupa 30 trabalhadores e cooperantes.

– Resolução do Conselho Político do MES intitulada “Tarefas dos Revolucionários: Construir a unidade das massas populares!”, visando «contribuir para a organização do poder popular», «marginalizar os partidos burgueses», «criar o exército popular», «erguer o controlo operário, derrotar a contra-revolução no terreno económico», dizendo «não à democracia burguesa, sim ao poder popular» para seguir «em frente pela revolução socialista».

– Registam-se incidentes e agressões físicas entre militantes do MRPP e simpatizantes da LUAR, do MES e dirigentes da Associação de Estudantes do Liceu Nacional de Faro.

Álvaro Cunhal declara que os comunistas não querem «controlar os jornais de outros partidos», assim como «não comemos criancinhas nem damos injecções detrás das orelhas».

Marcelo Rebelo de Sousa, antigo membro da comissão que redigiu a Lei de Imprensa, diz que as hipóteses de ocorrer algo como o “caso REPÚBLICA” nunca foram consideradas pela comissão de redacção, pois pensava ser «impossível» trabalhadores não jornalistas poderem «intervir na direcção ideológica de um jornal».

– O Ministério da Educação manda encerrar o Liceu Rainha D. Amélia, em Lisboa, por causa duma «estéril luta de grupúsculos» e uma «escalada de recusa de qualquer autoridade», até «se criarem condições para o seu normal funcionamento».

– O Conselho de Ministros determina a equiparação a bacharéis dos diplomados pelos institutos comerciais e a intervenção do Estado nas empresas Pão de Açúcar, Nutripol e Supermercados A. C. Santos.

– O Conselho da Revolução determina que os comandantes das regiões militares do continente passam a fazer parte do Conselho da Revolução.

– Manuel Franco Charais é nomeado novo comandante da Região Militar do Centro e graduado em brigadeiro pelo Conselho da Revolução.

– Pedro Pezarat Correia é nomeado novo comandante militar da região Sul e graduado no posto de brigadeiro pelo Conselho da Revolução.

– Duarte Pinto Soares, general graduado, é nomeado novo comandante da Academia Militar.

Dia 22 – A Comissão Coordenadora dos Trabalhadores do REPÚBLICA, em reunião com os delegados de seis jornais diários de Lisboa, reafirma a sua posição no conflito e apela à solidariedade da classe.

– Conferência de imprensa dos redactores do REPÚBLICA, onde reconhecem que «não é segredo para ninguém que» o jornal tem «toda a tendência socialista, jornalistas e leitores socialistas», mas «isso não é crime nenhum».

– Reunião no Palácio Foz entre o Conselho de Imprensa e o director e a Administração do REPÚBLICA.

Carlos Antunes, dirigente do PRP-BR, declara em entrevista ao jornal A CAPITAL, que «ou caminhamos resolutamente na construção do socialismo […] ou caminhamos para uma derrota que efectivamente será fatal para os próprios trabalhadores».

– Nota da Comissão Política do Comité Central do PCP acerca da decisão dos socialistas «de deixarem de participar no Conselho de Ministros», que «aparece inserida numa vasta e histérica acção do PS contra a política e as medidas progressistas do Conselho da Revolução e do Governo Provisório, contra o processo democrático, contra as forças revolucionárias», tomando por «pretexto o conflito dos trabalhadores com a direcção do "República"», actuando «como partido da oposição». Condena «as atitudes e actividades do PSD» e que os «grupos provocatórios pseudo-revolucionários, estão servindo e animando as forças da reacção», em especial «as provocações contra-revolucionárias do MRPP», e «os apelos a greves que não servem os trabalhadores nem o processo democrático».

– Conferência de imprensa de Mário Soares sobre o “Caso República”, reafirmando que o PS não voltará ao Conselho de Ministros enquanto não forem dadas garantias. O PS refuta também as conclusões do inquérito ao 1.º de Maio.

– O DIÁRIO DE NOTÍCIAS em nota editorial refuta a acusação de seguidismo em relação ao PCP e relembra que no I Governo Provisório o PS «não hesitou em colocar em postos-chaves da Informação», em especial na RTP, Emissora Nacional e DN, alguns “independentes” «que, por acaso, até pertenciam ao PS». O mesmo jornal publica dois comunicados subscritos pelo Conselho de Redacção e pela Comissão de Trabalhadores em que repudiam as acusações contra si lançadas pelo secretário-geral do PS.

Álvaro Cunhal em declarações à RTP afirma que a «dinâmica revolucionária não coincide com a dinâmica eleitoralista».

– Manifestação do PS, com Mário Soares à cabeça, ao fim da tarde, entre o Rossio e S. Pedro de Alcântara, em Lisboa, contra o encerramento do jornal REPÚBLICA, com apoio do PCP (m-l), PPD e PPM, com ataques desenfreados contra o PCP e a UDP. Mário Soares afirma no comício final que «se nós, pelo nosso lado, honrámos e honraremos o Pacto que solenemente firmámos perante o Presidente da República, é preciso que o MFA também honre o Pacto».

– Manifestação do PS na Praça da Liberdade, no Porto, de «apoio e amizade ao REPÚBLICA e a Raul Rego».

– O Plenário Geral de Trabalhadores da RTP debate o chamado “documento Veloso”, uma lista de funcionários a serem saneados. Foi aprovada a suspensão de Manuel Jorge Veloso, autor assumido como «mero apontamento pessoal».

– O Conselho da Revolução emite um comunicado onde analisa a situação do jornal REPÚBLICA e afirma que não aceitará que qualquer partido se considere como exclusivo intermediário das ligações políticas e sociais entre o Povo e o MFA, definindo ainda a posição de neutralidade das autoridades portuguesas no conflito inerente ao processo de descolonização de Angola, apelando para o respeito do Acordo de Alvor.

Dia 23 – As instalações das Minas de S. Pedro da Cova, que estavam encerradas desde 1969, são ocupadas pelos antigos mineiros e moradores da freguesia.
– Conferência de imprensa dos trabalhadores da Rádio Renascença, relembra que a natureza do seu conflito com o Patriarcado é «de trabalho» e que já leva 13 meses de duração, pelo que não é comparável ao Caso REPÚBLICA, e ao mesmo tempo fazem um balanço crítico da comissão mista nomeada pelo Governo, apontando contradições ao Conselho de Gerência, à hierarquia da Igreja e ao primeiro-ministro, que lhes disse não ter tempo para os receber.

– A FSP acusa o PS de estar «interessado por todos os meios no aprofundamento» do Caso REPÚBLICA.

– O MES crítica severamente o PS, considerando que o Caso REPÚBLICA é uma ponta da crise «puxada por quem interessava provocar a crise».

– O Conselho da Revolução, em comunicado emitido, «reprova a especulação feita em torno da paralisação do jornal» REPÚBLICA e a forma «como o litigio foi explorado» de «maneira absolutamente desproporcionada à importância do incidente».

– O Secretariado Nacional do PS reúne-se (às 15h30) com o Conselho da Revolução numa audiência que demora perto de quatro horas. Finda a reunião, Sottomayor Cardia reafirma a decisão do PS em não participar com Conselho de Ministros.

– O PCP reúne-se (22h) com o Conselho da Revolução para apreciação do Caso REPÚBLICA.

Mário Murteira, ministro do Planeamento e Coordenação Económica, e José Manuel de Mello, do Grupo CUF, estabelecem um acordo definindo os termos da intervenção do Estado Português na empresa.

– Decreto-Lei n.º 251/75 que cria uma linha de crédito de emergência destinada aos camponeses, pequenos e médios produtores agrícolas e produtores autónomos sem assalariados.

Dia 24 – Vaga de ocupações de casas em Lisboa e arredores.

– A Assembleia Geral do Sindicato dos Enfermeiros da Zona Sul aprova o seu caderno reivindicativo.

– Ocorrem agressões físicas durante o plenário dos trabalhadores de vestuário no Teatro da Feira do Palácio de Cristal, no Porto, durante a discussão sobre o horário de trabalho.

– Os trabalhadores da Gel-Mar trabalharam este dia sem qualquer vencimento, no âmbito da “batalha da produção, rumo ao socialismo”, havendo trabalhadores administrativos e empregadas de escritório que foram para o sector fabril amanhar e embalar o peixe ou fazer limpezas.

Manifestação no Porto de apoio ao MPLA, convocada pelo CIDAC, FSP, LCI, LUAR, MES e PRP-BR.

– A Comissão Coordenadora dos Trabalhadores do REPÚBLICA reafirma, em comunicado, o desejo de «restituir o jornal ao seu legítimo e verdadeiro dono: o Povo Português».

– Álvaro Belo Marques, director comercial e membro da Comissão Coordenadora dos Trabalhadores do REPÚBLICA, reafirma com grande veemência as razões dos trabalhadores do jornal e que o objectivo dos trabalhadores não jornalistas é «participar na feitura do jornal».

– Os jornalistas do REPÚBLICA afectos à direcção, em comunicado, comentam o texto do Conselho da Revolução sobre o problema do jornal, negando que seja «um conflito entre a administração e trabalhadores da empresa, antes afirmando-o eminentemente político».

– Trabalhadores dos jornais A CAPITAL, DIÁRIO DE LISBOA, DIÁRIO DE NOTÍCIAS, DIÁRIO POPULAR e O SÉCULO, manifestam o seu «inequívoco apoio» aos trabalhadores ocupantes do REPÚBLICA, que «estão em luta por uma verdadeira liberdade de imprensa».

Mário Soares parte, de manhã, para Paris a fim de participar na cimeira dos secretários-gerais dos Partidos Socialistas mediterrânicos e da Europa do Sul. Afirmou na ocasião que a reunião entre o PS e o Conselho da Revolução foi «muito boa» e que «estamos a negociar» para que «o pluralismo seja assegurado».

– Comício do PS no Pavilhão dos Desportos, em Lisboa, de apoio à direcção, administração e redacção do jornal REPÚBLICA, de defesa da liberdade de imprensa e protesto contra o que considera ser «o assalto aos meios de comunicação por parte do PCP». Discursos de Maria Antónia Palla, Jaime Gama, Álvaro Guerra, Trigo de Morais e Estrela Serrano. Francisco Salgado Zenha fez a intervenção de fundo, dizendo que «não manda quem quer, manda quem o povo quer».

– A direcção e a redacção do EXPRESSO publicam uma nota conjunta criticando «a influência dominante do PS» no REPÚBLICA e rejeitam todo os tipo de pressões.

– O semanário SEMPRE FIXE põe em causa a «idoneidade revolucionária» do PS, acusando-o de procurar pretextos para travar o processo revolucionário, desacreditar as forças democráticas e pôr em causa o MFA.

– Por motivos de saúde, Francisco de Sá Carneiro, alegando que «nem o tempo nem as forças me permitem», pede a suspensão das funções de secretário-geral do PPD.

– O Governo nomeou uma comissão administrativa pata gerir a Câmara Municipal do Porto, devido ao «impasse» causado pelo prolongado conflito e à greve dos trabalhadores municipais.

– Membros do MFA e do Governo Provisório deslocaram-se ao Norte do País para dinamizar a “batalha da produção”, tendo conversado com operários e mineiros.

– Publicação do despacho que nomeia uma comissão administrativa para a Cooperativa Horto-Frutícola do Roxo, Aljustrel.

– A Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Lisboa divulga o acordo que estabeleceu com o Governo, freguesias, estruturas militares e policiais, para a requisição de todos os fogos habitacionais «em favor da população mais necessitada».

Vice-almirante José Pinheiro de Azevedo, Chefe do Estado-Maior da Armada e conselheiro do Conselho da Revolução, reiterou em Bruxelas a fidelidade de Portugal à OTAN.

Capitão-de-fragata Correia Jesuíno, ministro da Comunicação Social, garante que os jornalistas «formam uma classe progressista e de vanguarda» e que se pretende ter «vozes independentes e capazes de análise desassombrada».

Dia 25 – O Conselho de Redacção do JORNAL DE NOTÍCIAS rejeita as afirmações de Mário Soares, segundo o qual o REPÚBLICA e o JORNAL NOVO seriam «os únicos jornais independentes», lembrando que o matutino portuense se assume como «independente de qualquer partido», havendo militantes de todos os partidos, «nomeadamente do Partido Socialista» na sua redacção.

– Durante um comício do PCP no Couço, Álvaro Cunhal acusa o PS de não querer o socialismo.

Emídio Guerreiro, 75 anos, matemático, resistente antifascista e lutador anti-salazarista, antifranquista e antinazi, é eleito secretário-geral substituto do PPD, derrotando as candidaturas de Magalhães Mota, Sá Borges e Mota Pinto, depois de diversas escrutínios.

– Viaturas blindadas do Exército escoltam a transferência de 358 agentes da ex-PIDE da cadeia de Monsanto para Alcoentre, donde fugiriam no mês seguinte.

– José Morais e Silva, general graduado e Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, deslocou-se a Trás-os-Montes para avaliar a primeira fase da Operação Maio-Nordeste, afirmando que para ganhar a confiança das populações «para a revolução, é preciso trabalhar com a enxada, lado a lado com elas».

Dia 26 – Conferência de imprensa de operários do Conselho de Defesa dos Trabalhadores da Lisnave para denunciar actos de sabotagem internacional contra a empresa, rescisões de contractos e diminuição de encomendas, visando estrangular a empresa e ameaçar os operários com o desemprego. Estiveram presentes Guedes Lebre, António Gamito, Fernando Oliveira, António Runa, António Costa e Joaquim Sampaio.

Manobras da OTAN, que motivam diversas manifestações de protesto contra a ingerência imperialista.

– Manifestação conjunta da CMLP e da OCMLP, no Rossio, em Lisboa, contra as manobras da OTAN e contra a «ingerência do imperialismo».

– O Secretariado Nacional Provisório Pró-Conselhos Revolucionários de Trabalhadores, Soldados e Marinheiros, manifesta o seu repúdio pela suspensão dos tenentes Tomé, Sá Leal e Guerra, afastados da Comissão de Extinção da ex-PIDE/DGS e LP por defenderem a existência dos CRTSM. No seguimento dessas suspensões, o major Vargas demitiu-se por solidariedade.

Assembleia Geral do Sindicato dos Jornalistas aprova uma moção dizendo que «a Lei de Imprensa defende (como o prova o “caso REPÚBLICA”) a entidade patronal» e fomenta uma informação «elitistas», promovendo o afastamento dos «trabalhadores de outras secções, muito em especial os gráficos» que «ficaram sem qualquer possibilidade de intervenção no trabalho».

Mário Soares acusa o PCP de ser «impermeável à Europa» e de ameaçar o desanuviamento europeu.

– Assalto e destruição à sede do MDP/CDE em Bragança, que seria reivindicado pelo ELP.

– Comunicado da Comissão Política do Comité Central do PCP apelando à participação na «grande manifestação popular» de «apoio ao MFA, em defesa das liberdades e pela construção de um Portugal democrático a caminho do socialismo», convocada para 28 de Maio.

– Assembleia extraordinária do MFA, realizada no Centro de Sociologia Militar de Lisboa, aprova o reforço da Aliança Povo/MFA, analisa o “Caso REPÚBLICA”, faz o rescaldo das eleições e a oposição entre a «via eleitoral ou a via revolucionária», crítica o PS por abandonar o Conselho de Ministros, chegando a equacionar a hipótese da criação dum «governo unitário». Foi também aprovada a moção de Varela Gomes para a ilegalização do MRPP, havendo debate com intervenções radicais de Varela Gomes, Dinis de Almeida e Pinheiro de Azevedo, em contraposição à intervenção conciliatória de Costa Gomes.

– O MFA critica a ausência do PS do Conselho de Ministros e manifesta apoio ao primeiro-ministro Vasco Gonçalves.

– Brigadeiro Otelo Saraiva de Carvalho declara que «as lutas partidárias estão a praticar um divisionismo imenso das massas trabalhadoras» e que «não interessam absolutamente nada ao Povo Português».

– O “Boletim da Direcção de Serviços de Emprego” anuncia a existência de 216.000 desempregados.

Dia 27 – Os trabalhadores da Rádio Renascença ocupam os estúdios da Rua Capelo, Lisboa, e o Centro Emissor da Buraca, tendo sido retirada a designação de “Emissora Católica Portuguesa”, passando a denominar-se “Rádio Renascença ao serviço dos trabalhadores”.

– A Assembleia Geral do Conselho de Defesa dos Trabalhadores da Lisnave aprova a criação do Conselho de Controlo Operário de Sector, visando o controlo da actividade social e o controlo operário de produção do estaleiro, advogando a capacidade de vetar qualquer medida da Administração que seja lesiva dos interesses dos trabalhadores.

– O Plenário Geral de Trabalhadores, representativo de 3.300 trabalhadores, decidiu que as cadeias Pão de Açúcar, A. C. Santos e Nutripol passam a chamar-se “Supermercados do Povo”.

– O Conselho de Imprensa toma pública a sua posição acerca do “Caso REPÚBLICA”, onde reconhece a violação da Lei de Imprensa «ao serem destituídos, pela Comissão Coordenadora de Trabalhadores, o director e director-adjunto» e a chefia de redacção, e também «ao ter sido publicado um número do jornal REPÚBLICA com a menção do Sr. Álvaro Belo Marques como director interino», mas por outro lado pondera que existia «uma insuficiência da Lei perante a evolução do processo revolucionário, particularmente no que se refere à participação do conjunto dos trabalhadores […] na definição e aplicação do Estatuto Editorial», de modo a garantir a salvaguarda do «direito do povo à liberdade de informação».

– O Sindicato dos Profissionais de Telecomunicações e Radiodifusão emite uma nota de solidariedade com a «luta dos trabalhadores da Rádio Renascença» que deu «um passo significativo na afirmação dos seus legítimos interesses de classe», dentro «da maior colaboração com o processo democrático».

– Oficiais do COPCON entregam ao Conselho da Revolução o “Documento dos Operacionais do COPCON”, saído de uma reunião entre os comandantes e delegados do MFA das unidades do COCPON da Região Militar de Lisboa, no qual se faz apologia da «direcção do processo de ligação às estruturas populares e da revolução cultural». O documento-moção, em 10 pontos, visava «objectivar a curto prazo as etapas do nosso caminho para o socialismo», «redefinir a base da aliança POVO-MFA», construir «o embrião as verdadeiras forças revolucionárias» em «contacto directo com as massas populares», dirigir o «processo de ligação às estruturas populares e da revolução cultural», declarar que «um dos principais inimigos da revolução é a burocracia» e as «leis fascistas», transformar as «autarquias locais» em «órgãos de planeamento e gestão da vontade popular», reestruturar o Ministério da Justiça «por forma a adaptar-se ao processo revolucionária», traçar «objectivos concretos com as forças patrióticas e progressistas», mobilizar «todas as capacidades do povo português» e reafirmar «o apoio ao general Otelo» e «ao primeiro-ministro Vasco Gonçalves».

– Acções desencadeadas em Coimbra pelo COPCON contra o MRPP, por causa das «agressões atentórias da ordem pública e da dignidade humana» recentemente perpetrados por este movimento.

– Publicado o Decreto-Lei n.º 261/75, a chamada Lei do Divórcio, que consagra a dissolução dos casamentos canónicos pelos tribunais civis.
Dia 28 – Os trabalhadores da Rádio Renascença atribuem a actos de sabotagem realizados pelo Conselho de Gerência ao facto dos emissores de frequência modulada, localizado em Monsanto, e da Lousã, terem deixado de transmitir a emissão a partir de Lisboa.

– Manifestação da UDP para defender a não ingerência de Portugal nos assuntos internos de Angola e contra a presença da esquadra da OTAN em Lisboa.

– O PRP-BR crítica o PCP e o PS e repisa «que os militares revolucionários» devem assumir «toda a responsabilidade revolucionária», defendendo que os trabalhadores «se organizem em Conselhos Revolucionários de Trabalhadores, Soldados e Marinheiros (CRTSM)», embrião do «verdadeiro Exército Revolucionário».

– Guilhermino Lelo, militante do núcleo da Covilhã do MES, foi atingido a tiro durante uma operação stop realizada por militares.

– As sedes e associações do MRPP são ocupadas pelo COPCON que prende 432 activistas e dirigentes nas cadeias de Caxias e Pinheiro da Cruz, na sequência do sequestro e espancamento de ex-militares, por o jornal LUTA POPULAR ter acusado Jaime Neves e Salgueiro Maia de estarem implicados num golpe, e por «actividades contra-revolucionárias». Segundo outras informações, o Comité Lenine do MRPP teria decidido assaltar arrecadações e quartéis para obter armas, o que teria desencadeado a operação. Entre os presos, encontravam-se o secretário-geral Arnaldo de Matos, Carlos dos Santos, Fernando Rosas, José Freire Antunes, Almeida Perucho, António Russo Dias, etc.

– Manifestação de apoio ao MFA convocada pelo PCP, MDP, FSP e Intersindical, com discurso gratulatório de Costa Gomes.

Capitão Vasco Lourenço, porta-voz do Conselho da Revolução, assegura que o «processo revolucionário em curso não é propriedade de nenhum partido político».

– Brigadeiro Vasco Gonçalves parte para Bruxelas a fim de participar na cimeira de Chefes de Estado e de Governo da OTAN.

– Brigadeiro Vasco Gonçalves é promovido a general.

– Brigadeiro Otelo Saraiva de Carvalho é graduado no posto de general.

– Os comandantes da Região Militar do Norte, Eurico Corvacho, do Centro, Franco Charais, e do Sul, Pezarat Correia, tomam assento no Conselho da Revolução.

– Oito navios da esquadra permanente da OTAN/NATO no Atlântico entram no porto de Lisboa, no âmbito dos exercícios navais na costa portuguesa.

Dia 29 – Diversas iniciativas assinalam o primeiro ano (25 de Maio de 1974) da luta, ocupação da fábrica e autogestão das trabalhadoras da SOGANTAL, na Praça de Touros, no Montijo, com teatro e canto livre com «os melhores artistas progressistas», entre os quais o GAC – Grupo de Acção Cultural.

– Comunicado do COPCON sobre o MRPP, para justificar as acções desencadeadas a 27 e 28 de Maio, onde se afirma que esta organização vive numa «constante procura de confrontação com as autoridades revolucionárias» através de «um intenso verbalismo demagógico» e «uma bem preparada e orquestrada actividade panfletária e de imprensa escrita», em tudo «semelhante a um qualquer tipo de seita religiosa, com reduzida implantação junto das autênticas massas trabalhadoras do País», sendo «sempre de benévola condescendência a atitude do COPCON face à dinâmica falsamente revolucionária», porém, desta feita «o COPCON, braço armado das Forças Armadas para a defesa da Revolução», acusa o MRPP de sequestro, espancado e «outras sevícias» a 3 ex-militares.

Trabalhadores de O SETUBALENSE, num gesto de «solidariedade da classe operária», impediram a impressão de uma edição do REPÚBLICA, sob responsabilidade da redacção solidária com Raul Rego.

– Surge o 1.º número do JORNAL DO CASO REPÚBLICA, sob direcção de Raul Rego, sendo editor Gustavo Soromenho, e de cuja redacção faziam parte Alberto Arons de Carvalho, Álvaro Guerra, Álvaro Tavares, Antónia de Sousa, Artur Alpedrinha, Belard da Fonseca, Carlos Soares, João Grego Esteves, Helena Marques, Jaime Gama, Jardim Gonçalves, João Gomes, Jorge Morais, José Man, Manuel Arons de Carvalho, Marcelino Mesquita, Nuno Coutinho, Paz Ferreira, Pedro Foyos e Rocha Vieira. Fora autorizado com um alvará provisório e teria uma tiragem de quarenta mil exemplares.
– Surge nas bancas a primeira edição do semanário TEMPO, dirigido por Nuno Rocha.

– Despacho do Ministério do Trabalho determina que a empresa proprietária do REPÚBLICA deve efectuar o pagamento dos salários aos trabalhadores nos dias em que o jornal estiver encerrado.

– General Vasco Gonçalves, presente na cimeira de Bruxelas, afirma durante um encontro com Gerald Ford e Henry Kissinger que Portugal não é «o cavalo de Tróia dentro da NATO». Teve também encontros com seus homólogos Helmut Schmidt (Alemanha Federal), Harold Wilson (Grã-Bretanha) e Pierre Trudeau (Canadá).

Vice-almirante Rosa Coutinho afirma ao QUOTIDIEN DE PARIS que o PS «traiu de certa maneira o país».

Dia 30 – Os ministros do PS retomam funções no Governo Provisório, «garantindo ao MFA a sua total colaboração na edificação da sociedade socialista».

– Decreto-Lei n.º 270/75 que institui o Serviço Cívico Estudantil para alunos pré-universitários, visando «assegurar aos estudantes uma mais adequada integração na sociedade» e um «mais amplo contacto» com a realidade, para assim «contribuir para a combinação da educação pelo trabalho intelectual com a educação pelo trabalho manual e quebrar o isolamento da escola em relação à vida» do País.

– O responsável pelo emissor da Lousã, da rede nacional da frequência modulada da Rádio Renascença, faz a ligação com o emissor do Porto, cortando a transmissão com o emissor de Lisboa.

– Trabalhadores e artistas formam o Comité de Defesa da Revolução (CDR) do sector de espectáculos, estrutura civil que pretende reforçar a «aliança do movimento popular de massas com o MFA». Entre os fundadores estão Artur Semedo, Carlos César, Costa Ferreira, Ermelinda Duarte, Guida Maria, Henriqueta Maia, Irene Cruz, João Lourenço, José Gomes, José Viana, José Morais e Castro, Rogério Paulo e Rui Mendes.

– Começaram a ser libertados alguns militantes e dirigentes do MRPP recentemente detidos pelo COPCON.

– Resolução do Conselho de Ministros que estabelece providências para as empresas do grupo CUF.

Dia 31 – As Comissões de Moradores são reconhecidas como «órgãos de colaboração e participação nas decisões da Presidência da Câmara do Porto».

– Os trabalhadores rurais decidem ocupar na região da Vidigueira as herdades da Misericórdia, Cortes de Baixo e Peso, o que não sucedeu por motivos diversos, e também por não terem sido autorizadas pelo Sindicato dos Trabalhadores Agrícolas do Distrito de Beja.

– Álvaro Belo Marques, director do REPÚBLICA por indicação dos trabalhadores, garante que nenhum partido domina a lutas dos 143 trabalhadores não jornalistas e que estes estão unidos para impedir que o jornal, «por mor do seu enfeudamento ao PS, caminhasse a passos rápidos para a ruína económica».

– Reunião em Belém por causa do jornal REPÚBLICA com a presença do Conselho da Revolução, do major José Costa Martins, ministro do Trabalho, capitão-de-fragata Jorge Correia Jesuíno, ministro da Comunicação Social, major Arlindo Dias Ferreira (em nome do COPCON) e de Raul Rego (director), Gustavo Soromenho (administrador) e João Gomes (chefe de redacção). Foi alcançada uma plataforma de acordo.

– Comício do MRPP em Paço de Arcos.

– Realiza-se no Coliseu de Lisboa uma “jornada anti-imperialista de apoio à luta do povo angolano” e solidariedade com o MPLA, organizada pela FSP, LCI, LUAR, MDP/CDE, MES e PCP.

– Realiza-se em Lisboa o I Congresso da Juventude Social Democrata, convocado pela Comissão Organizadora do Congresso composta por António Fontes, Guilherme d’Oliveira Martins e Francisco da Motta Veiga, com a participação de cerca de 500 jovens representando os núcleos do Continente, Açores e Madeira. Seria eleita uma Comissão Política Nacional da JSD constituída por António Rebelo de Sousa, Guilherme d’Oliveira Martins, Pedro Jordão, Paulo Costa, José Hernandez, António Cerejeira, Manuel Álvaro Rodrigues, José Mota Faria, José Carlos Piteira e José Coelho.

Emídio Guerreiro, novo secretário-geral do PPD, concede uma entrevista ao EXPRESSO, com afirmações surpreendentes, ao dizer que a social-democracia é uma forma «clara de capitalismo internacional», tecendo elogios à «revolução maravilhosa» do 25 de Abril, à Revolução Russa de 1917 e a Lenine.
D. António Ribeiro, cardeal-patriarca, e D. Júlio Tavares Rebimbas, arcebispo de Mitilene e bispo-auxiliar de Lisboa deslocam-se ao COPCON para conversações com o general Otelo Saraiva de Carvalho a propósito da situação da Rádio Renascença.

– General Vasco Gonçalves regressa a Lisboa depois da reunião da OTAN, sendo recebido por uma manifestação de apoio no aeroporto da Portela, convocada pela Intersindical, MDP/CDE, FSP e PCP.

– Vão começar as obras de electrificação em 61 concelhos do País.

– Coronel Valentina Vladimirovna Terechkova, astronauta russa e a primeira mulher cosmonauta, chega a Portugal a convite do Movimento Democrático de Mulheres, sendo «entusiasticamente recebida» no aeroporto de Lisboa.

Maio – Prossegue a luta dos trabalhadores das Torres Sado, em Setúbal.

– Prossegue a luta dos trabalhadores da ITT-RABOR, fábrica de material eléctrico.

– Prossegue a luta dos trabalhadores da Fábrica de Tecidos Lionesa, em Leça do Bailio, com paralisação e posterior ocupação por melhoria das condições salariais.

– Os trabalhadores da firma Alfredo Gonçalves Silva, ocupam as instalações da fábrica de tapetes em Carreço, Viana do Castelo, por causa de salários em atraso.

– Os trabalhadores da Fábrica União Metalúrgica Bandeira & Irmão, em Vila Nova de Gaia, ocupam as instalações perante ameaça de falência fraudulenta.

– Os trabalhadores da SOFIL – Sociedade de Fiação de Vizela, em S. Martinho do Campo (Santo Tirso), ocupam a empresa devido a sabotagem económica.

– Os trabalhadores da CORFI – Organizações Industriais Têxteis de Manuel Oliveira Viola, em Espinho, denunciam a
s manobras de boicote económico do patronato.

– Os trabalhadores da FACAR

– Agudização da luta da Comissão de Trabalhadores

– A greve de 3 dias do sector das indústrias de hotelaria

– Os trabalhadores rurais da Casa Agrícola Santo Jorge, concelho de Moura, ocupam a Herdade dos Machados.

– A Comissão de Trabalhadores da Mundet faz o balanço dum ano de ocupação das fábricas no Seixal e Montijo, e da experiência de autogestão e saneamento financeiro da empresa.

– Para além de Álvaro Cunhal, Mário Soares e Francisco Salgado Zenha, também renunciaram ao mandato de deputado devido a função incompatível: Armando Pereira Bacelar (PS), Carlos Chaves de Macedo (PPD), Francisco Pereira de Moura (MDP/CDE), Joaquim Jorge CampinosMagalhães Mota (PPD), Jorge de Sá Borges (PPD), Pedro de Albuquerque Coelho (PS) e Vasco da Graça Moura (PPD). Por motivo de doença relevante não chegaram a tomar posse, tendo renunciado: AntónioAreias (PS), Eduardo Bastos AlbarranSá Carneiro (PPD), João Pulido Valente (UDP) e José de Magalhães Godinho (PS).

Luciana Castellina, jornalista, militante feminista, ex-militante do Partido Comunista Italiano, fundadora do grupo “Il Manifesto” e da Comissão Executiva da Direcção Nacional do Partido di Unitá Proletária per il Comunismo, esteve em Lisboa para encontros com o Movimento de Esquerda Socialista – MES.

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