11/03/2012

11 de Março de 1975. o prelúdio do Verão Quente

Foi uma tentativa falhada de golpe militar, organizada pelo general António Spínola, ex-presidente da República, aliado à Força Aérea e ao Exército de Libertação de Portugal (ELP), por oposição ao Comando Operacional do Continente (COPCON) e à Liga de Unidade e Acção Revolucionária (LUAR), na tentativa de pôr fim ao governo de Vasco Gonçalves, defensor de um regime socialista avançado. A missão foi abortada e o golpe foi dado como falhado.

11 de Março de 1975 - 1.ª parte


11 de Março de 1975 - 2.ª parte
11 de Março de 1975 - 3.ª parte

11 de Março o prelúdio do PREC 1975
No dia 11 de Março de 1975, Portugal assistiu a uma «intentona» para pôr fim aos “excessos revolucionários”. Tropas pára-quedistas atacam o Regimento de Artilharia de Lisboa, mas são derrotadas pelo COPCON. Acontecem as nacionalizações e as prisões voltam a encher-se. 
Paulo Tavares 
Portugal estava ao rubro em Março de 1975. A «Revolução dos Cravos» tinha acontecido em Abril do ano anterior, pondo fim a um regime ditatorial, e o regresso da liberdade punha a direita e a esquerda em rota de colisão. Na manhã desse já longínquo dia, e por instigação do então general Spínola, pára-quedistas de Tancos atacam o Regimento de Artilharia de Lisboa, bem como o aeroporto. 
Ao início da tarde, surgem os primeiros apelos à mobilização popular e levantam-se barricadas nas estradas. Os bancos não reabrem à tarde e há piquetes nos locais de trabalho. Põe-se mesmo a hipótese de entregar “armas ao povo”. A casa do general Spínola é assaltada em Lisboa, bem como as sedes do CDS e do PDC (Partido da Democracia Cristã, conotado com a extrema-direita). No Porto, também as sedes dos dois partidos são saqueadas, bem como a do PPD (hoje PSD).
O Comando Operacional do Continente (COPCON), chefiado por Otelo Saraiva de Carvalho, desdobra-se em acções militares e consegue debelar a denominada «contra-revolução». Otelo Saraiva de Carvalho dá uma entrevista na televisão e anuncia a vitória sobre os revoltosos. O Presidente da República, general Costa Gomes, e o primeiro-ministro, coronel Vasco Gonçalves, também aparecem na televisão para sossegar os ânimos. O general Spínola, acompanhado pela mulher e 15 oficiais, foge para Espanha e depois escolhe o Brasil para o exílio. Todos os partidos políticos, da direita à esquerda, convocam manifestações para a capital e juram estar solidários com os ideais de Abril. 
No rescaldo dos acontecimentos, são anunciadas as nacionalizações da banca, dos seguros, das telecomunicações, dos cimentos e praticamente de todas as indústrias de média e grande dimensão. Nasce o PREC (Processo Revolucionário em Curso) e está aberto o caminho para o «Verão Quente» de 1975.

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